Arquitetura Romana: Características e Exemplos de Obras

A Arquitetura Romana começou da união entre dois estilos de arquitetura, a grega e a etrusca. Apesar de ser uma forte influência dos gregos e etruscos, vale destacar que a arquitetura romana conquistou seu lugar no mercado, não se pode dizer de forma alguma, que é uma imitação dos estilos anteriores da arquitetura, pois se transformou em um estilo autêntico, aprimorando as técnicas antigas e criando as suas próprias técnicas ela inovou a construção Romana.

arquitetura romana

O estilo grego tinha como ideal priorizar a beleza, já o estilo etrusca priorizava a realidade do cotidiano, unindo e criando mais técnicas, se tornou luxuoso, grandioso e que possuía simetria peculiar.

A história da Arquitetura Romana

Originou-se no século II antes de Cristo, mas veio se espalhando durante a civilização romana (centrada em Roma, na península itálica ao longo do mar Mediterrâneo), por mil anos, desde a República (509 a.C a 27 a.C) até o Império (27 a.C a 476 d.C) que estenderam-se por lugares que incluem a Europa Ocidental, Grécia, regiões do norte da África, Ilhas Britânicas e Oriente Médio.

história da arquitetura romana

Durante o período de helenização da colonização, todos os costumes, hábitos e outros aspectos da cultura grega tornaram-se mais intensos e passaram a ser espalhados.

Os romanos faziam parte de uma sociedade em constante mudança, que tinha contato direto com outros povos e culturas. Assim, tendo influências e incorporando as características dos locais pelos quais passava e dominava, tornando a cultura romana diversificada. A arquitetura Romana seguiu esta linha, tendo sido influenciada principalmente pela arquitetura grega e etrusca.

Herança da Grécia

Através das ordens: dórico e jônico, nomes de regiões gregas onde esses estilos eram mais empregados, assim surgiu a herança da Grécia. De modo geral, essas duas ordens correspondem às colunas dos templos.

Dórico

O dórico, sobretudo usado no exterior dos templos gregos, se tornou o mais frequente nas colônias gregas e no sul da península Itálica (a Magna Grécia).

Jônico

O jônico, estrutura mais elaborada e usada em templos de devoção a divindades femininas, esteve presente em maior quantidade na costa oeste da Ásia Menor e nas ilhas do mar Egeu. Ambos os estilos, no entanto, coexistiram em alguns locais. Ainda foi usada como referência para os romanos a ordem coríntia, uma variedade do jônico, porém mais trabalhada e rebuscada.

Os elementos gregos estavam muito presentes nos traços romanos, principalmente as concepções clássicas dos estilos jônico, dórico e coríntio. Contudo, essa apropriação não foi intacta. Os romanos inventaram esses elementos, criando novas ordens, ora a partir da mistura entre características jônicas e coríntias, ora na retirada de estrias do corpo das colunas (ordem toscana), que até então compunham o estilo dórico.

Os etruscos viviam ao norte da Itália, na região que hoje chamamos de Toscana. Deste povo, os romanos herdaram o emprego do arco e da abóbada. Os templos, por exemplo, receberam influências de ambas as culturas, grega e etrusca: planta retangular, teto de duas águas, vestíbulo profundo com colunas livres e uma escada na fachada dando acesso ao pódio ou à base.

Acredita-se que os etruscos ensinaram os romanos a construírem pontes, fortificações, sistemas de drenagem e aquedutos. Muitos desses monumentos não resistiram ao tempo e, por isso, não é possível assegurar o tamanho da influência etrusca. A própria figura da loba que amamentou Rômulo e Remo, mito fundador da cidade de Roma, é provável que seja resultado de uma mitologia etrusca, confirmando uma influência não só arquitetônica dessa civilização.

A Porta Augusta de Perúgia, um portão etrusco em forma de arco, foi uma das construções que sobreviveram ao passar dos anos. A importância dela está no pioneirismo de unir o arco a uma ordem arquitetônica. Os romanos desenvolveram, posteriormente, essa aliança entre estilo de arquitetura e arcos. Das influências dos etruscos e dos gregos, emergiu uma arquitetura romana própria, que foi disseminada pelo seu território.

Como se caracteriza a arquitetura Romana

Uma característica que evidencia o império Romano, foi que as construções buscavam mostrar o belo, a grandiosidade, a simetria, o luxo e status (serem apreciadas e admiradas) e poder. Eram feitos basílicas, anfiteatros, templos, termas, fontes, obeliscos, banhos públicos, pontes, mercados, catacumbas e a domus (residência), usando de elementos compostos pela própria influência etrusca e grega. Então foi se disseminando a arquitetura romana e de modo geral as artes.

  • Projetos sólidos e resistentes, capazes de sobreviver ao tempo;
  • Construções funcionais e luxuosas;
  • Uso inovador do concreto nas construções;
  • Arcos e abóbodas em novos formatos, como berço e aresta;
  • Os arcos eram os grandes responsáveis pela forma artística das obras romanas;
  • Paredes largas com aberturas estreitas que se assemelhavam a janelas;
  • Simetria e proporções matemáticas;
  • Espaços com grandes aberturas;
  • Obras inspiradas no espírito prático e guerreiro dos romanos.

O que marcou como característica, foi o uso de abóbadas (teto cúbico), arcos do triunfo (influência dos etruscos) e as colunas (influência dos gregos).

A parte estrutural das obras monumentais, tinha como destaque um grande número de colunas na parte interior das obras, fazendo com que houvesse menos espaço. Porém era essencial, por suportar o peso, pois um dos principais materiais usados era o concreto.

A arquitetura romana também se destacou por sua grandiosidade com a construção de aquedutos, banhos públicos (termas), pontes, mercados, estradas, calçadas, tribunais, mosteiros e igrejas. A influência grega é notória uma vez que os romanos também construíram templos, palácios, pórticos e anfiteatros.

No entanto, os romanos já utilizavam outros materiais e técnicas e sua grande diferença está nos arcos e nas abóbadas, desconhecidos pelos gregos. Como exemplo, podemos mencionar as obras localizadas em Roma: Coliseu, o Panteão, o Arco de Constantino e o Fórum Romano. Vale lembrar que, de outras construções arquitetônicas romanas, destaca-se o aqueduto de Segóvia, na Espanha.

arquitetura romana características

Os arquitetos dessa época trabalhavam com dois novos materiais de construção: o opus caementicium (cimento romano) e o latericium (ladrilho que tinha mais versatilidade que o concreto). Com combinação dos dois novos materiais era possível construir obras de enormes dimensões e ao mesmo tempo leves.

Assim como as construções atuais, outros materiais muito utilizados na arquitetura romana eram a pedra cortada em blocos regulares, o tijolo de concreto, alvenaria, madeira, gesso, mármore e azulejos.

Outra mudança ocorrida nas formas de construção e nos materiais utilizados foi a retomada do uso do mármore. A variedade de materiais antes empregada, como a argila, o calcário e algumas pedras específicas, utilizadas pelos etruscos, cedeu lugar ao mármore, apontando a forte influência grega neste período.

Também as abóbadas surgiram do projeto dos gregos, mas foram os romanos que conseguiram empregá-las nas construções, expandindo o seu uso para os espaços externos dos edifícios. Aperfeiçoando a forma, criaram as abóbadas em berço e as abóbadas de aresta, transformando-a no elemento central da sua arquitetura.

Outra característica é que a arquitetura era de cultura diversificada, tinha relação entre a arte, política, religião e sociedade. Vale a pena ressaltar que a arquitetura romana se originou sem relação nenhuma com a religião, mas durante o seu desenvolvimento se envolveu com a religião.

Arquitetura Romana: Obras

As construções romanas foram espalhadas por todo o império sendo uma das mais conhecida o Coliseu.

Coliseu

É um anfiteatro, localizado em Roma, criado no século I. Foi uma construção longa que durou 6 anos, com início no governo do imperador Vespasiano e finalizada no governo do Imperador Tito.

arquitetura romana coliseu

No Coliseu tem uma grande quantidade de arcos redondos, as paredes têm 46m de altura na parte exterior, e são separadas em quatro partes: três arcadas com colunas dóricas, jônicas e coríntias.

Mas eles também construíram estradas e aquedutos. O legado romano arquitetônico se tornou conhecido no mundo por sua beleza, cuja ainda nos dias de hoje, causa encanto aos mais renomados da arquitetura e engenharia.

Panteão

O Panteão é um exemplo que passou os séculos e continua em conservação. Vale a pena ressaltar que, nesse local o diâmetro da planta baixa é igual à altura da cúpula, cuja foi construída para ser morada para os deuses. Um dos lugares mais representativos da obra Romana.

arquitetura romana panteão

Via Ápia

Outras construções que marcaram foram as estradas, que expressam sofisticadas técnicas de construção. A Via Ápia é um grande, a mais importante estrada que saía de Roma.

arquitetura romana Via Ápia

Aquedutos

E por fim, outro exemplo que marcou a arquitetura Romana foram os aquedutos, onde houve associação entre a construção e a utilidade para a sociedade, pois foi algo propício para o abastecimento das cidades antigas com a chegada de água vindo das colinas e montanhas a mais de 80 km de distância.

Aquedutos arquitetura romana

Uma curiosidade é que muitas das construções da antiga Roma ainda são utilizadas nos dias de hoje, como os aquedutos, que continuam a fornecer água para algumas vilas modernas. As abóbadas ainda fazem parte de algumas casas, instaladas desde os tempos da Antiguidade romana, e o cimento, que ainda naquela época da República Romana, começou a ser usado, até hoje nas construções, é um dos principais elementos.

Domus Aurea de Nero

Outros importantes elementos da arquitetura romana foram os palácios e residências privadas. Esses palácios e residências eram formados por dependências múltiplas e amplos espaços abobadados. Um dos principais exemplos de palácios construídos pela arquitetura romana foi o Domus Aurea de Nero.

Domus Aurea de Nero arquitetura romana

Vila Adriana

A residência suburbana também foi outro tipo de edificação luxuosa. Dentro delas, eram dispostas várias estâncias para o ócio, para o culto e para a meditação. A vila suburbana virou moda e a prática foi adotada pela elite aristocrática . Um das principais residências foi a Vila Adriana, em Tivoli.

arquitetura romana Vila Adriana

Termas de Caracala

As termas eram construções destinadas aos banhos públicos, algo muito comum no Império Romano. No local eram construídas piscinas – de água quente e fria, vestiários e bibliotecas. O exterior dos banhos era geralmente simples, o destaque ficava na parte interna dessas construções.

Termas de Caracala arquitetura romana

Ricamente decorada, a parte interna dos banhos contava com colunas, mármore, estátuas e mosaicos. Um dos maiores e mais emblemáticos banhos do Império Romano foi o de Caracala, construído em Roma no ano de 216 d.C.

Triunfo de Constantino

Os Arcos triunfais eram construídos como modo de homenagear os soldados e exaltar as vitórias militares do Império Romano. Atualmente é possível visitar cinco arcos em Roma, sobreviventes do tempo: Triunfo de Druso, Triunfo de Tito, Triunfo de Septímo, Triunfo de Galiano e Triunfo de Constantino, esse último construído em 315 d.C é um dos maiores exemplos da arquitetura da Roma imperial.

Arquitetos romanos

A maioria dos arquitetos romanos continuaram no anonimato, isso porque era costume no Império Romano oferecer a dedicatória da obra para a pessoa que encomendou e pagou por ela e não ao responsável técnico e artístico da construção.

Contudo, alguns nomes conseguiram se sobressair. Entre eles está Apolodoro de Damasco, o arquiteto preferido do Imperador Trajano, governante do Império Romano no período de 98 a 117 d.C.

Apolodoro de Damasco

Damasco ficou conhecido pela sua habilidade de construir pontes e por ter projetado obras famosas como o Fórum de Trajano e Banhos de Roma.

Vitrúvio

Mas foi o arquiteto romano Vitrúvio que alcançou maior popularidade. Apesar de não se saber muito sobre suas obras, com exceção de uma basílica que ele construiu em Fano, Vitrúvio deixou sua contribuição para a arquitetura documentada no livro “De Architectura”,um estudo com dez volumes sobre arquitetura escrita entre 27 a 16 a.C e que permaneceu intacto ao longo dos séculos.

fano basílica vitrúvio arquitetura romana

A arquitetura romana soube como ninguém combinar novas técnicas e materiais a um estilo que eles entendiam muito bem. Foi através da arquitetura que Roma mostrou ao mundo antigo todo seu poder, força e superioridade. Mesmo com a queda do Império Romano, o legado arquitetônico não se perdeu e o modo como eles usavam concreto, tijolos e arcos continua a influenciar a arquitetura ocidental até os dias de hoje.

Como a Arquitetura Romana influenciou a Arquitetura Mundial?

A civilização romana deixou de herança ideias e boas influências para todo o mundo. Como já dissemos, existem várias obras preservadas desse período clássico e elas estão espalhadas principalmente pela Europa.

Os historiadores têm pesquisado sua beleza, estética e qualidade construtiva por várias gerações. E isto, inclusive, tem sido pauta de discussões em cursos aplicados nas universidades contemporâneas, principalmente nas faculdades de Artes Plásticas, Engenharia Civil e Arquitetura e Urbanismo.

Especificamente no âmbito das Artes, o que mais se aprende é como esse povo, assim como os gregos, trabalhou com a escultura, estudando as proporções do corpo humano, além de suas expressões.

Sob influência disso, Leonardo da Vinci desenvolveu, há centenas de anos, o estudo do Homem Vitruviano, que também passou a ser investigado pela Arquitetura e Urbanismo. Mas, em todas estas artes e outras mais, a Arquitetura Romana foi inspiração para o lançamento de vários estilos notáveis!

Exemplos de Arquitetura de influência românica no Brasil

Óbvio que a cultura romana teve mais influência, num primeiro momento, na civilização europeia. Porém, a cultura brasileira também, anos depois, herdou muito deste conhecimento – adquirido por meio dos europeus que vieram para cá. Alguma coisa desta influência é vista em exemplares do período colonial.

Com mais ênfase, os elementos básicos da Arquitetura Romana e neoclássica – adotada pelo Reino de Portugal – aparecem, por exemplo, na Praça da Estação e na Catedral de Nossa Senhora da Boa Viagem, em Belo Horizonte. Também no Museu do Ipiranga, na Igreja de Nossa Senhora Do Brasil, e na Catedral de São Paulo.

arquitetura romana museu do ipiranga

Conclusão

Concluímos que a arquitetura foi um campo muito fértil nas criações romanas. Elementos etruscos e gregos foram combinados com materiais, desenhos e texturas essencialmente romanos e usados principalmente em construções de aspectos funcionais.

O resultado dessa junção foram obras extraordinárias por dentro e por fora, bem diferentes do que era feito até então.

Ao contrário dos gregos, que construíam grandes estruturas para moradas de deuses, os romanos tratavam a arquitetura como uma forma de unir e possibilitar a convivência das pessoas, porém, sem perder sua majestade.