Projetos e Serviços de Arquitetura: Como Precificar e Cobrar sem Erro

Como precificar meus serviços? Como cobrar por meus projetos na arquitetura? Pode parecer simples, mas não é tanto. Precisamos nos atentar a alguns detalhes para evitarmos 2 problemas: Ou o cliente achar “caro” ou você perder dinheiro por “cobrar barato”. Aprenda agora 7 formas para compor os preços dos seus serviços. Precificando corretamente, você vai evitar os seguintes problemas:

Leandro, eu recebi um orçamento para fazer, mas como eu devo cobrar para não pagar para trabalhar?
Leandro, eu não sei precificar os meus serviços.
Leandro, eu estou cobrando caro ou barato?

Você possui essas dúvidas? Precificação de projetos, de execução, de consultoria? Se sim, eu vou te dar algumas dicas para vencer essa barreira. Eu estou no campo de batalha desde 2009 e sei como te ajudar. Só foca no que vou te falar aqui e implementa, só isso que quero de você, combinado?

Seja muito bem vindo, seja muito bem vinda ao programa – Viver de Arquitetura. Nós discutiremos as estratégias na sua jornada para você ter o seu escritório de sucesso aumentando o seu reconhecimento e faturamento com a Arquitetura, Engenharia e Design. Eu sou Leandro Amaral, arquiteto especialista em captação de clientes pela internet com projetos realizados em 6 estados e 9 cidades diferentes. Você pode assistir ao vídeo acima ou conferir as dicas abaixo.

O tema de hoje é: Precificação de projetos e serviços de Arquitetura

Você já recebeu a proposta para projetar algo e quando o cliente perguntou quanto você cobraria, você não fazia ideia do valor? Você provavelmente respondeu que iria analisar o pedido de projeto dele e retornaria para passar o preço, ou vamos ver se esse é seu caso, você deu um preço com base na correria e no final viu que pagou para trabalhar?

Precificar é uma dúvida comum e perfeitamente normal, e sinceramente, acho que ninguém chegou a um consenso sobre isso ainda. Vou te passar o meu ponto de vista pelos anos que já estou no mercado. Para isso, vamos entender alguns pontos importantes.

Mercado de Trabalho

A arquitetura, infelizmente, ainda é muito desvalorizada em alguns lugares, ainda sim, é um profissão que vem crescendo no Brasil e ganhando cada vez mais visibilidade. É uma profissão que sempre tem serviço, pois toda cidade precisa de locais para habitação, de lazer, empreendimentos, paisagismo, infraestrutura e urbanização. Todas essas construções demandam um planejamento e sensibilidade que exige a sabedoria de um arquiteto.

Custos a Considerar

Porque estou te falando isso? Porque a precificação é o resultado da combinação de informações como o tipo de projeto a ser executado, mercado em que o arquiteto atua, forma de execução e gestão do projeto, além da estrutura e custos do escritório.

É preciso conhecer a média de preços do mercado a sua volta, não só dos seus concorrentes mas de todos os prestadores de serviço que serão necessários para a execução da obra.

Não existe uma receita exata para isso, cada projeto é único e tem suas necessidades, além de que cada escritório trabalha e funciona de formas diferentes. Os valores variam de profissional para profissional dependendo das necessidades do projeto e do escritório, além de fatores externos como funcionamento do mercado no local da execução e porte da cidade.

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como precificar

Antes da gente pensar em dar o nosso preço, precisamos entender dos custos diretos. Eles são os valores relacionados diretamente com o projeto como:

Custos do Trabalho: Aqui entram todos os custos com equipe de trabalho, mão de obra. Por exemplo, se você tem um estagiário, um funcionário fixo, ou terceiriza alguma parte do seu projeto ou serviço para outra pessoa, você terá de pagar ela, com o dinheiro do seu cliente, certo? Por isso devemos ter cuidado aqui.

Eu já vi caso de colegas que esqueceram de somar o custo do projeto estrutural que tinha prometido, no final teve que tirar do bolso para pagar o engenheiro.

Custos com os Materiais necessários para entregar o trabalho: Se for projeto, o custo do computador, custo dos programas, se for execução de obra, o custo de cada item que será utilizado na obra. Essa parte é extremamente complexa, pois pensa no seguinte, você tem que ter uma planilha com todos os itens que serão utilizados na obra, tipo a parte hidráulica, o encanamento que será utilizado, válvulas, uma por uma.

Nesse caso aqui, se você não faz, com certeza tem que ter alguém que faça, isso vai cair nos custos de trabalho, lembra lá em cima?

Custos Extras: Cada projeto tem uma necessidade, então os custos extras dependem do tipo de projeto e caso existam, devem entrar nos cálculos. Exemplo: Sondagem de solo, estudo de viabilidade técnica, estudo com engenheiro de som caso estiver projetando uma igreja, ou, impressão de projeto, quem paga? Você ou cliente? Cliente indiretamente?

Todas essas dicas são válidas e eu já vi muitos colegas simplesmente ignorarem elas.

Nós temos também os custos indiretos.

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Os custos indiretos são aqueles que não tem relação direta com o projeto, como por exemplo: aluguéis, mesas.
Aqui não entra o computador, nem programa porque você precisa deles para fazer esse projeto para elaborar o seu serviço, eles são custos diretos, combinado.

Por isso cada um tem que dosar, saber dizer exatamente o que é custo direto ou indireto. Para mim é muito subjetivo mas é importante pensarmos nesse aspecto. Eu mesmo não preciso de um aluguel para fazer um projeto, mas eu preciso de uma sala para atender o cliente? E se eu trabalhar só home office? Compreende?

Vamos supor que você tenha acabado de abrir um escritório de arquitetura. Você precisou alugar uma sala comercial, formar uma equipe, comprar mesas, cadeiras, material para escritório, ter sempre a disposição aquele cafezinho para oferecer aos clientes. Todos esses gastos relacionados ao funcionamento da empresa devem estar embutidos no valor do seu projeto. Caso contrário, sua empresa não aguentará muito tempo. Sempre tem esses custos novos.

7 Formas de como Precificar e Cobrar em Arquitetura

Os projetos podem ter diferenças gigantescas, e por isso, não podemos cobrar um valor fixo para todos. Além disso, o preço do metro quadrado pode variar muito entre regiões e cidades o que torna mais difícil uma padronização desses valores. Ainda bem que existem diversas formas de cobramos pelos projetos e as mais comuns que dá para você utilizar, são:

Como precificar em Arquitetura – Valor Profissional

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Como precificar em Arquitetura – Valor Profissional

Alguns arquitetos preferem precificar seus trabalhos baseados na sua capacidade profissional. Isso quer dizer que eles ponderam a própria capacidade intelectual, a experiência profissional que possuem e nicho em que atuam. A capacidade profissional está diretamente ligada com eficiência de trabalho. Quanto mais capacitado for o profissional, mais eficiente ele será, mais ele vai conseguir otimizar a execução do projeto e da obra.

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Eu diria que esse método de cobrança é para arquitetos com muita experiencia, muita bagagem. Por exemplo: vou fazer um projeto de um sobrado de 200 m². O terreno tem limitações e o bairro também. Você monta o seu preço e no final viu que o projeto deu muito mais trabalho por fatores que você não sabia que tinha que levar em consideração. E aí? Nesses casos nós temos um problema. Por isso, se você não tem tanta experiencia assim com o seu serviço, não cobre dessa forma.

Como precificar em Arquitetura – Por Demanda

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Como precificar em Arquitetura – Por Demanda

O valor do projeto, quando cobrado por demanda, varia muito pois depende do fluxo de trabalho existente no momento. Deve ser levado em consideração o tempo que será gasto para desenvolver o projeto, o grau de dificuldade do mesmo e a quantidade de trabalhos que o escritório está executando.

Se você estiver com muitos projetos, por exemplo, o próximo projeto que entrar terá um custo maior pois sua agenda já está sobrecarregada. Para cobrar assim você deve ter também aquela experiencia para saber pelo menos se esse serviço novo vai te dar trabalho ou não, seja com cliente, visitas a obra, aprovação nos órgãos competentes.

Como precificar em Arquitetura – Tabela do CAU

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Como precificar em Arquitetura – Tabela do CAU

O CAU é o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil e tem a função de regular a profissão no país. Ele disponibiliza uma tabela de honorários de serviços de arquitetura e urbanismo referente aos projetos arquitetônicos de edificações. É disponibilizado um aplicativo que faz o cálculo desses serviços. Essas tabelas calculam valores a partir de parâmetros relativos aos aspectos e especificidades do trabalho da categoria.

Porém, eu acho os valores que o CAU coloca bem acima se comparados com a nossa realidade. Talvez na sua cidade não, mas para a minha é extremamente fora da realidade. Baixe o APP e faça uma simulação.

O CAU também disponibiliza um arquivo PDF sobre honorários na Arquitetura, você pode baixar clicando aqui.

Como precificar em Arquitetura – Por Hora

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Como precificar em Arquitetura – Por Hora

Normalmente, um profissional de qualidade alta significa projeto rápido e obra rápida. Pensando por esse lado, contratar um profissional por hora pode ser vantajoso, dependendo do porte e nível de dificuldade do seu projeto.

Mais uma vez, você precisa ter experiência para precificar nessa modalidade. Você precisa já ter feito pelo menos umas 10 vezes serviços similares para saber que para elaborar uma planta baixa você demora 5 horas, por exemplo. O problema maior aqui é que como trabalhamos com a criatividade, essa planta baixa pode ser criada em 10 minutos como em 10 horas, ou 10 dias, vai que a criatividade não vem.

Essa modalidade é mais comum para consultorias, acompanhamentos a obra, por exemplo: R$100,00 a hora para eu te acompanhar na execução dessa construção. Farei 4 visitas no mês. Total de R$400,00 por mês. É uma suposição. Acompanhamento de obra normalmente é fechado cobrando pelo menos acima de um salário mínimo por mês. Mas é claro, esse preço muda de região para região.

Como precificar em Arquitetura – Por Metragem Quadrada

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Essa é a modalidade queridinha dos Arquitetos. A cobrança por metragem quadrada é mais comum feita em projetos de pequeno porte como residências a prédios comerciais pequenos, por ser mais simples de calcular. Mas tem que tomar muito cuidado aqui pois a dificuldade de fazer uma casa de 70 metros para o Minha Casa Minha Vida é completamente diferente de fazer um sobrado de 200 metros quadrados e um prédio de 2000 metros quadrados.

Essa forma de cobrança pode variar muito dependendo da região em que o arquiteto atua e do que é praticado pela concorrência, normalmente ele é mais engessado pois a clientela tem mais parâmetro para comparar preços. Mas se quiser começar por essa aqui que é a mais fácil, analisar o preço da concorrência já ajuda, agora é claro, muito cuidado para no final acabar pagando para trabalhar.

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Para definir um valor por metro quadrado é interessante fazer uma pesquisa de mercado e levantar os preços da concorrência. Uma forma de cobrar por metragem quadrada, é pelo SINAPI ou o CUB/m² também.

  1. SINAPI: Ferramenta do IBGE que mensalmente disponibiliza uma listagem sobre construção civil. Nesta lista você encontra desde valores de materiais à quanto ganha um arquiteto;
  2. CUB: Sigla para Custo Unitário Básico é calculado a partir da NBR 12.721, criada em 2006, que define o padrão dos projetos, levando em conta características como padrão de acabamento, número de pavimentos e de dependências da construção.

Como precificar em Arquitetura – Percentual

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Como precificar em Arquitetura – Por Percentual

Muitos grandes escritórios brasileiros e internacionais cobram por percentual. Funciona da seguinte maneira: O profissional deve estabelecer um percentual sobre o custo estimado da execução da obra. Tem que ter muita experiência para fazer isso. Você consegue precificar quanto vai custar para construir um estádio? Construir uma casa de 1200 metros quadrados com piscina, ofurô, garagem com elevador e garagem de barcos?

Normalmente esses escritórios contam com grandes equipes para auxiliar nesse processo. Normalmente, para projetos de grande porte, o percentual pode variar entre 2,5% e 4%. Já para projetos de porte pequeno e médio, os índices ficam entre 7% e 12%. Mas é claro, isso varia de região para região, profissional para profissional.

Como precificar em Arquitetura – Por Custo de Oportunidade

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Como precificar em Arquitetura – Por Custo de Oportunidade

Vamos supor, uma pessoa influente da sua cidade está te chamando para fazer um projeto que vai te trazer destaque. Cabe aqui você analisar se consegue fazer num preço menor mas que ainda assim tenha lucro. Será que consigo fazer?

A desvantagem desse método são os oportunistas. Tem que tomar muito cuidado com oportunistas. É o que mais tem. Ah, faz um projeto de graça ou num preço menor que vou te apresentar para todo mundo. Muito cuidado com isso. Faz o projeto de graça só para eu ver. Faz o projeto da igreja que vai trazer visibilidade. Analise sempre, será que vai trazer mesmo? Será que isso será bom para meu marketing?

Conclusão

Precificação na Arquitetura requer cuidados tanto para você não ter prejuízo fazendo o serviço muito barato ou prejuízo não fechando novos cliente por cobrar muito caro. Com calma e paciência você conseguirá entender cada vez melhor sobre esse tema e aprender como precificar de forma que te traga lucros.

Bom, é isso. O que você achou desse material? Eu quero saber sua opinião, é muito importante para mim.

Espero que tenha você tenha gostado e que essas dicas possam ter te ajudado!

Um abraço, a gente se vê no próximo material. Até mais.