Croqui na arquitetura, conheça mais sobre esse recurso usado nos projetos. Ferramenta usada a tempos por arquitetos e criadores renomados e que talvez você até já tenha usado. Aprenda aqui, o significado, como usar, e os materiais necessários.

Com o croqui é possível dar asas à imaginação a qualquer hora e lugar.

Croqui na arquitetura: o que é?

Croqui na arquitetura o que é?

O que é croqui na arquitetura?

Oriundo do século XIX, o Croqui na arquitetura é a primeira fase do projeto. É aquele esboço feito a mão para exemplificar as ideias iniciais a respeito do que desejam criar.

É a imaginação tomando forma de desenho. É uma maneira rápida de poder ver as primeiras ideias no papel.

Para que serve o croqui na arquitetura?

O croqui, na arquitetura, serve como auxiliador na transmissão de ideias e na captura de momentos. Mesmo sem muitas habilidades com desenho, é possível registrar um momento através do croqui.

Desde sempre, ações, pessoas, animais, edificações e acessórios como cadeiras, caixas de correio, portas blindadas, janelas, varandas, degraus, colunas, são retratados com o espírito do lugar e as pessoas que os utilizaram, às vezes ao longo de muitas décadas.

Essa ferramenta podem ser uma maneira de ver a dimensão humana presente em toda a arquitetura. As construções contam uma história sobre seu tempo e localização, e nós podemos contá-la através da representação gráfica de um croqui.

Significado de Croqui

Croqui vem do Francês “croquer” e significa simplesmente esboçar. Croqui significa desenho rápido ou bosquejo e não pressupõe grande precisão ou refinamento gráfico.

Croqui não precisa ser uma ideia acabada, mas sim uma experiência individual de descoberta e experimentação, como a pintura ou a escultura.

A importância do croqui na arquitetura

A importância do croqui na arquitetura

A importância do croqui na arquitetura

Para compreender de forma visual as ideias em mente, arquitetos e diversos outros profissionais, há séculos, fazem o uso do croqui.

Alguns croquis podem ser bem fiéis a ideia de design do projeto, como alguns croquis de Paulo Mendes da Rocha. Já outros podem ser completamente abstratos e diferentes do projeto final, como os croquis de Zaha Hadid.

O croqui oferece uma liberdade de traços única, possibilitando ao profissional, desenvolver projeto diferenciados e cheios de criatividade. Qualquer coisa imaginável é passível de criação através do croqui.

É essencial desenhar à mão livre na arquitetura?

Uma das dúvidas mais comuns entre as pessoas que desejam ingressar no mundo da arquitetura é: “para ser arquiteto precisa saber desenhar?”.

Não necessariamente. O fato de saber desenhar não é o que garante o sucesso da profissão.

A arquitetura é uma área muito ampla e ter habilidades em desenho à mão não é exigência em grande parte dos trabalhos que um arquiteto pode fazer.

Na faculdade de arquitetura existem matérias como desenho técnico, desenho livre, expressão artística e plástica aplicada, onde saber desenhar pode te destacar entre os colegas, mas quem não sabe, não fica pra trás.

Aliás, se essas matérias existem na grade curricular é porque precisam ser ensinadas, ou seja, quem não sabe desenhar, pode aprender. Mas para isso, é preciso sim, gostar de desenhar. Querendo ou não, projetar é desenhar.

A verdade é que o desenho a mão livre vai ser usado muito mais para se comunicar com colegas e clientes do que tecnicamente, e para isso, você não precisa ser um desenhista profissional.

Hoje, existe uma infinidade de ferramentas para o desenvolvimento de projetos e a faculdade dá uma base para a criação através deles. Então tanto as habilidades de desenho a mão como de projeto por meios de softwares podem ser desenvolvidas.

Portanto, saber desenhar não é essencial para seguir uma carreira na arquitetura. Mas sempre dá para treinar essas habilidades e aperfeiçoá-las.

Materiais necessários para criação de croqui na arquitetura

Você não precisa ser um desenhista profissional para fazer um croqui, mas se o croqui é usado para auxiliar na transmissão de uma ideia, quanto mais claros e precisos forem seus traços, mais fácil será transmitir sua ideia e mais fácil será para enxergar os pontos fracos e fortes do seu projeto.

Para isso, você precisa de boas ferramentas. Aqui nós te contamos quais os principais materiais para fazer croqui que podem ajudá-lo a começar um novo projeto de arquitetura.

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Papéis ou caderno de desenho para croquis

A maioria das ideias podem ser expressas em uma folha de papel. Projetos muito complexos vão precisar de softwares mais completos para sua criação, mas a ideia inicial pode muito bem partir de um esboço 2D.

Inicialmente uma folha comum já serve, mas dependendo do material que usar pode ser que você precise uma folha com maior gramatura. Ao usar marcador, por exemplo, ou aquarela, a tinta pode transferir para o outro lado da folha se ela for muito fina.

As gramaturas mais indicadas são:

  1. Para desenhos simples com lápis e caneta comum – Papel sulfite comum com gramatura a partir de 50 g/m²;
  2. Para desenhos com marcadores – Papel Canson Xl Marker 70g. Desenvolvido especialmente para marcadores, o papel possui alta-alvura, com uma película protetora que não deixa a tinta transparecer no outro lado da folha;
  3. Para desenhos com aquarela – Existem diversas versões, mas no geral, as características são de papéis sem ácido, com gramatura de 270 g/m² à 300 g/m².

Lápis e lapiseira para croquis

Os lápis costumam variar por maciez do grafite e as lapiseiras, além da maciez, variam na espessura do traço também. Os lápis, principalmente os da família H, são os preferidos dos desenhistas por serem mais fáceis de apagar.

A dureza do lápis é classificada em 4 tipos: B, H, F e HB.

  • B representa blackness, cor mais preta;
  • H representa hardness, dureza;
  • F representa fine, fina (ponta fina);
  • HB está entre B e H, que caracteriza um lápis comum, para escrita.

Ou seja, quanto mais suave (macio) mais escuro, e quanto mais duro mais acinzentado (grafite). A escala do mais rígido ao mais macio fica seguinte forma:

9H > 8H > 7H > 6H > 5H > 4H > 3H > 2H > H > F > HB > B > 2B > 3B > 4B > 5B > 6B > 7B > 8B > 9B

Borracha

Para um lápis comum, uma borracha comum basta. Porém, quanto mais elaborados os materiais, melhor precisará ser a borracha. Neste caso, uma das mais usadas é a borracha limpa-tipo.

Ela é uma borracha bem mais maleável, parecida com massinha de modelar. Mais indicada para lápis acima de 3B. Ela absorve o grafite e consegue apagar por completo os traços feitos com lápis sem prejudicar o croqui ou a folha.

Além disso, ela também tem a função de apenas clarear o traço, pois pode ser utilizada para retirar o excesso de grafite e delimitar áreas de luz.

Canetas para croquis

As canetas mais utilizadas são as canetas nanquim. Podendo ser recarregáveis ou não, elas podem ter um design mais comum para facilitar o uso, ou a tinta nanquim pode ser usada com pena, uma forma já bem antiga, mas ainda utilizada pelos diferentes efeitos que pode trazer.

Quando combinada com outros materiais como lápis de cor e aquarela, pode criar sensação e efeito realista que nenhuma outra caneta comum consegue.

Dicas para criar croquis na arquitetura

Do básico ao mais avançado, existem alguns detalhes que, ao serem aplicados, elevam a qualidade do seu croqui. Preparamos algumas dicas indispensáveis para um bom croqui. Confira:

1. Mantenha a escala e proporção em seus croquis

Se for possível desenhar em escala, faça. Para isso você precisará de um escalímetro. O desenho em escala possibilita que qualquer pessoa tenha as medidas exatas do projeto.

Caso não seja possível seguir uma escala exata, ou você não possua os materiais necessários, você pode criar uma escala fictícia na hora, apenas para auxiliar na compreensão do espaço.

Essa escala te ajudará a manter uma proporção no desenho, o que é extremamente importante, para que a ideia do projeto seja passada da forma correta e que ninguém entenda de forma errada os tamanhos do design.

A escala humana também é um grande aliado nessas horas. Além de nos dar uma referência de escala do projeto, permite demonstrar as funções desse espaço. Colocando uma figura humana podemos também transmitir a relação de proporção com o edifício desenhado.

2. Crie efeito luz e sombra

As luzes e sombras são efeitos importantes na finalização dos desenhos. Isso acontece tanto em desenhos a mão, quanto em desenhos digitais. Estes efeitos dão noção de volume e profundidade. As sombras dão a sensação de 3D da imagem.

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3. Adicione vegetação em seus croquis

Quanto mais humanizada seus desenhos, mais fácil é para que o cliente crie uma relação com projeto e uma maior aceitação das ideias. E esta é uma das funções da vegetação.

Além de humanizar o desenho, a vegetação também pode auxiliar a dar noção de escala. Procure representar vegetação em diferentes planos. Desenhe a vegetação de fundo e até mesmo vegetações que estão na frente da edificação.

4. Perspectivas cônicas e pontos de fuga

A perspectiva cônica é um método de projeção que dá origem a desenhos correspondentes à visão humana. É possível desenhar com 1, 2 ou 3 pontos de fuga. Eles nos dão a noção de profundidade nos desenhos.

Inspire-se nos croquis de arquitetos famosos

É através do croqui que um projeto ganha forma e se revela. Desde um arquiteto local ao arquiteto renomado, uma hora ou outra, todos recorrem a essa ferramenta.

Algumas das maiores obras de arquitetura, mais conhecidas, projetadas por arquitetos renomados mundialmente, tiveram seu início em croquis, aqui mostramos algumas delas.

Croquis de Oscar Niemeyer

Com habilidade e genialidade, os desenhos de Niemeyer contam com formas icônicas que traduzem, de modo sublime, a inspiração do famoso arquiteto. Para Niemeyer, a arquitetura se assemelha a obras de arte.

Le Corbusier e outros modernistas tradicionais mostravam em seus trabalhos a constância de linhas e ângulos retos. Niemeyer, em contrapartida, promovia em sua arquitetura as curvas e linhas sinuosas.

Confira 5 dos croquis na arquitetura mais famosos desse gênio brasileiro:

Museu Oscar Niemeyer

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Catedral de Brasília

Catedral de Brasília

Igreja de Pampulha

Igreja de Pampulha

Palácio da Alvorada

Palácio da Alvorada

Casa de CanoasCasa de Canoas

Veja também: Oscar Niemeyer, o poema na curva

Croqui do Sou Fujimoto

Sou Fujimoto é um arquiteto japonês, formado pela Universidade de Tóquio em 1994. Ele defende edifícios não-convencionais.

Divisões claras, tanto de níveis como de ambientes, são abaladas por seus complexos planos e estruturas interligadas que em uma referência à ideia de caverna, ele descreve como “Futuro Primitivo”.

Em seu caderno de croquis Sou Fujimoto oferece insights sobre seu processo de projeto. Confira as imagens abaixo:

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Croquis de arquiteto Santiago Calatrava

Santiago Calatrava é um renomado arquiteto e engenheiro espanhol. Licenciou-se em arquitetura em 1974. Mudou-se para Zurique para estudar engenharia civil, licenciando-se em 1979 e doutorando-se em 1981.

“Por vezes crio composições estruturais, as quais poderão denominar esculturas, se assim entenderem” (…)” São baseadas em ideias muito pessoais. Da mesma maneira que Fellini ou Kurosawa desenhavam esboços antes dos seus filmes, eu faço esculturas” (…)”

– Santiago Calatrava.

Confira alguns dos principais croquis na arquitetura de Santiago Calatrava, podemos observar que ele não hesitava em aplicar cores e humanizar seus croquis:

Croqui na arquitetura

Croqui arquitetura

Croqui arquitetura

Croqui arquitetura

Croqui arquitetura

Croqui na arquitetura do Paulo Mendes da Rocha

Outro renomado arquiteto Brasileiro é Paulo Mendes da Rocha, autor de projetos como o Museu Brasileiro da Escultura.

Pertencente à geração de arquitetos modernistas liderada por João Batista Vilanova Artigas, Mendes da Rocha assumiu nas últimas décadas uma posição de destaque na arquitetura brasileira contemporânea, tendo sido galardoado no ano de 2006 com o Prêmio Pritzker, o mais importante da arquitetura mundial.

Segundo Paulo Mendes da Rocha: “Uma visão poética sobre a forma, que ultrapassa, na sua dimensão humana, a estrita necessidade. A arquitetura não deseja ser funcional, mas oportuna.”

A arquitetura de Paulo Mendes da Rocha exprime simplicidade e clareza sem perder sua grandiosidade. Essas características podem ser observadas desde seus croquis:

Croqui arquitetura

CROQUI DO MuBE

Croqui arquitetura

Veja também: Paulo Mendes da Rocha – Projetando um museu

Croqui da arquiteta Zaha Hadid

Zaha Hadid se formou em matemática em 1971 pela Universidade Americana de Beirute, posteriormente estudou arquitetura na AA – Architectural Association, em Londres, nos anos de 1972 a 1977.

Diferente de muitos arquitetos, os croquis de Zaha Hadid não representam concretamente o que será o projeto. Muito pelo contrário, ela usa da sua liberdade formal para explorar e experimentar maneiras de abordar o projeto. Seus desenhos tem influência direta da sua admiração pela “abstração artística”.

Veja também:  Projeto de planta baixa arquitetônica, como desenvolver o seu!

Croqui da arquitetura

Croqui arquitetura

Croqui arquitetura

E depois do croqui? Qual é o próximo passo do projeto?

O croqui é, na arquitetura, o primeiro passo para o desenvolvimento de um projeto. O próximo passo, depois da ideia inicial, é desenvolver projeto.

Com o croqui você obtém a conceituação do design do seu projeto. Depois dele é preciso todo o embasamento da obra para concretizar esse projeto.

Algumas das principais etapas do desenvolvimento de um projeto são:

  1. Conhecer o terreno;
  2. Levantamento de necessidades;
  3. Pré-projeto;
  4. Croqui;
  5. Planta;
  6. Corte e elevação;
  7. Representação 3D;
  8. Cálculos;
  9. Aprovação da prefeitura;
  10.  Execução da obra.

Existe ainda a finalização e toda a fase de acabamento da obra. Quer entender melhor cada etapas e conhecer mais sobre as fases de um projeto de arquitetura?

Veja também: Projeto de arquitetura: etapas do projeto, como cobrar e como fazer

Dicas de softwares para arquitetos

O mundo está em constante evolução, e um profissional, para estar bem capacitado precisa seguir o ritmo de evolução da tecnologia. Todos os dias surgem novidades e as empresas procuram profissionais atualizados e experientes.

Existem diversos programas desenvolvidos diretamente para o público da construção. Cada um tem uma função e auxilia em uma parte do projeto.

Conheça os softwares mais usados por arquitetos e designers nos desenvolvimentos dos seus projetos:

  • AutoCad – O programa hoje conta com recursos específicos do setor, e bibliotecas para arquitetura, mecânica, elétrica e muitas outras áreas. Possui funções de desenho 2D, modelagem 3D e é mais comumente usado para o desenvolvimento de desenhos técnicos. Em seu formato de programação original ele traz uma estrutura bastante completa para seus usuários, mas ainda é possível personaliza-lo.

Veja também:  AutoCAD: O que é, o que faz e para que serve?

  • Revit – O programa foi criado com a função de auxiliar os profissionais da área de construção e design na elaboração de projetos. Com o Revit é possível criar um projeto desde sua parte estrutural à parte arquitetônica, e também todos os sistemas complementares como hidráulico, elétrica, sistema mecânicos.

Veja também: Revit: o que é, como usar o programa e principais vantagens

  • Sketchup – O SketchUp funciona de forma bem mais intuitiva do que os outros softwares presentes no mercado hoje. É um software bem claro e simplificado, com ferramentas bem definidas e desenvolvidas. Possibilita a fácil elaboração de diferentes formas e volumes.

Veja também: SketchUp: o que é, como usar, dicas práticas e plugins

  • Lumion – Ele usa a tecnologia 3D em tempo real que favorece as visualizações imediatas e a criação de imagens em uma fração de segundos. Sua biblioteca supercompleta e de alta qualidade possibilita que qualquer tarefa complexa e desafiadora seja facilmente gerenciada.

Veja também: Lumion 10: Tudo sobre essa Versão

Conclusão

Com uma representação gráfica fica muito mais fácil transmitir uma ideia. Objetos comuns podem assumir uma presença extraordinária se bem apresentados.

Os estudantes de arquitetura, muitas vezes, ficam aterrorizados em ter que fazer croquis rápidos, devido a uma sensação de quase relaxamento que linhas menos definidas podem proporcionar.

Eles se esforçam para fazer um desenho “bonito” em vez de capturar a tal objeto, momento ou ação.

Um desenho perfeccionista, bem pensado e feito com tempo tem sua importância e o momento certo de aplicação. E o croqui também.

Apesar de ser o oposto, ele cumpre a mesma função, transmitir uma ideia. É possível fazer isso de forma rápida e eficiente através do croqui.

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